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Como Podes Ajudar os Teus Filhos a Lidar com a Ansiedade Dos Primeiros Dias de Regresso à Escola

7 de Julho, 8h35 da manhã e eu preparo o meu café calmamente. Enquanto o seu suave aroma se espalha pela casa, eu acordo a minha filha para ir para as as suas atividades de tempos livres. Ela desperta com entusiasmo. Vai poder rever os seus amigos novamente e hoje é mesmo um dia especial. Vão acampar na escola e passar a noite todos juntos.

Enquanto isso, eu e o meu marido aproveitamos para convidar uns amigos para virem jantar a nossa casa. Enquanto alguns tratam dos grelhados, eu aproveito para me espreguiçar no meu cadeirão novo enquanto saboreio o meu gin tónico. Olho para o meu marido e sorrio. Ele sorri-me de volta. Ambos adoramos a paz das noites de verão, sem trabalho, sem escola, sem correrias.

Mas ontem foi o último dia das matrículas na escola. A minha barriga começa a doer e o meu peito aperta com a ideia de voltarmos novamente à rotina escola-trabalho-casa.

Mesmo sendo adulta e com um horário de trabalho mais ou menos flexível, a ansiedade que envolve este regresso à “vida normal”, assusta-me imenso. A mim e ao meu marido.

Mas para a minha filha este regresso passa-lhe mesmo uma grande rasteira e deita-a ao chão com toda a força. E todos os anos nos surpreendemos. Nós e todos os pais.

Para as crianças, tenham a idade que tiverem, o regresso à escola desencadeia ansiedade e muitas vezes uma angústia arrebatora.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, as perturbações de ansiedade são as que apresentam uma prevalência mais elevada (16,5%) entre todas as perturbações existentes, e as crianças que sofrem de ansiedade tendem a piorar nos períodos de transição (mudança).

Mas é preciso perceber também que ter alguma preocupação é perfeitamente natural e isso não quer dizer automaticamente que apresentam um quadro de ansiedade.

Quem será o novo professor? Quem vais estar na sala de aula? Vou ter amigos novos? Será que vou ter boas notas? Novos horários, novos medos, amigos que se perderam, novos amigos que surgem, novas matérias, novas pressões, mais responsabilidade, agendas mais ocupadas e emoções novas. Todas as crianças passam por isto.

A minha filha está preocupada com a nova escola e as novas matérias pois acabou de entrar no 5º ano e tudo vai ser diferente e, supostamente, mais difícil.

Já a minha sobrinha, está muito preocupada com o facto de não conhecer ninguém na turma nova e em como vai conseguir manter as amizades do ano anterior, já que não são da mesma turma.

Em ambas as situações, o que eu lhes tenho dito é: “Vai correr tudo bem!” Mas isto parece tão útil como dizer “Está bem! Não me importo muito com isso.” 

O que fazer se teu filho estiver ansioso com o regresso à escola?

Em primeiro lugar, fica atento/a ao teu filho e mantém as linhas da comunicação abertas. Administra a tua própria ansiedade e lembra-te que és tu que defines o “tom” da família. Resiste àquela vontade iminente de fazer alguma coisa para consertar e escuta apenas o que o teu filho tem para dizer.

O pai/mãe/cuidador não tem de resolver o problema, tem apenas de se sentar com a criança, mostrar que se importa, que está disposto a ouvir e que não vai a lado nenhum, que está ali a apoiá-lo. Isso tranquiliza-os e fecha os seus medos a sete chaves no armário.

Empatia e conexão ajudam a reduzir a ansiedade. Nunca desvalorizes o que ele tem para te dizer. Se ele fala é porque é importante para ele. Todos os sentimentos são válidos.

Cria empatia, escuta e faz perguntas. “Eu também já me senti assim.”, “Há muitas crianças a sentir o mesmo que tu.”, “O que te está a preocupar?”, “Qual é o pior cenário? E o melhor? Vamos imaginar o pior cenário e pensa se isso já aconteceu alguma vez. Como te sentes agora?”, “Eu vou estar sempre aqui para te ouvir e te ajudar a pensar desta forma.”

Presta também muita atenção ao sono, dieta, exercícios e respiração. Redefine a hora de dormir para mais cedo e as rotinas relaxantes uma semana antes do início das aulas.

Certifica-te de que as crianças estão a comer alimentos saudáveis ​​em horários regulares. Lembra-te de como é importante que as crianças tenham tempo livre para brincar e fazer o que gostam verdadeiramente. 

Quando e como devo procurar ajuda

Se achas que o teu filho está a atravessar um estado ou perturbação de ansiedade, é importante que procures ajuda pois eles ainda não sabem lidar muito bem com os seus pensamentos e emoções, ou falar sobre eles. Neste momento, os sintomas mais óbvios são mesmos os comportamentos, conscientes e inconscientes.

Para crianças, esses sintomas podem incluir:

  • Alterações no desempenho escolar
  • Preocupação excessiva ou ansiedade além do habitual
  • Comportamento hiperativo ou hipoativo
  • Terrores nocturnos
  • Comportamentos agressivos 
  • Irritabilidade ou aumento de argumentação
  • Birras frequentes
  • Enurese ou ecoprese

Para o teu filho adolescente, procura os sinais abaixo:

  • Preocupação excessiva ou medo
  • Humor depressivo
  • Pensamentos confusos ou dificuldade em concentrarem-se ou aprender 
  • Humor lábil: alterações extremas de humor, incluindo “altos” e “baixos” incontroláveis ​​ou sentimentos de euforia
  • Sentimentos prolongados de irritabilidade ou raiva
  • Isolamento
  • Dificuldade em entender ou relacionar-se com outras pessoas
  • Mudança nos hábitos de sono ou sensação de cansaço e falta de energia
  • Mudanças nos hábitos alimentares, como aumento da fome ou falta de apetite
  • Dificuldade em perceber a realidade (delírios ou alucinações)
  • Incapacidade de perceber mudanças nos próprios sentimentos, comportamentos ou personalidade
  • Abuso de substâncias como álcool ou drogas
  • Múltiplas e recorrentes doenças físicas sem causas óbvias (como dores de cabeça ou dores de estômago)
  • Ideação suicida ou comportamentos de automutilação
  • Incapacidade de realizar atividades diárias ou em lidar com problemas e stress diários
  • Medo excessivo em ganhar de peso ou preocupação com a imagem