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Como o Quebrar dos Tabus da Intimidade Transformou as Minhas Relações

Quando ele me disse: “É como se nos tivéssemos conectado verdadeiramente depois de tantos anos juntos. Sinto-me mais próximo de ti do que nunca.”, eu senti que tinha conseguido superar os tabus que me limitavam e que agora éramos felizes e unidos como nunca fomos.

Quantas vezes sonhaste ser capaz de criar ligações verdadeiramente fortes com as pessoas à tua volta?

Nos últimos anos, tenho estado mais atenta à forma como me relaciono com as pessoas que fazem parte da minha vida. Conectar-me por inteiro com elas tornou-se verdadeiramente transformador para mim.

Mas nem sempre foi assim.

Estar próxima de alguém (tornar-me intima dessa pessoa) nunca foi muito fácil ou natural para mim. O abraço, o toque, o beijo, o contacto visual, falar abertamente de sexualidade, estar nua na cama sem pudor, sempre foram verdadeiros desafios.

Cresci numa família muito conservadora, onde os afetos não eram demonstrados e a sexualidade era um tabu completamente impossível de ser quebrado. Hoje sei que isso teve um grande impacto na minha vida e em todas as relações que tive, inclusive comigo mesma.

Casei há 6 anos com o Pedro. Conhecemo-nos na faculdade e foi muito fácil apaixonarmo-nos, apesar dele ainda hoje contar a todos os nossos amigos como foi difícil conquistar-me. 8 meses depois, engravidei de gémeos.

Os primeiros tempos foram uma verdadeira loucura. Noites mal dormidas, corridas para o hospital, choros, berros, fraldas e mais fraldas… e a cada dia que passava, mais afastada do Pedro eu estava e nem tinha real consciência disso.

Lembro-me perfeitamente do dia em que ele me perguntou com um ar assustado se eu era feliz, estava eu a amamentar a nossa filha Beatriz na grande poltrona bege que os meus pais me deram. Olhei para ele de testa franzida e, sem saber muito bem o que responder, disse: “Claro…”, até que fui salva pelo choro da nossa filha.

Os dias passaram e o cansaço que estava comigo há tantos meses nem me permitiu voltar a pensar naquela pergunta que o Pedro me fez.

Até o dia em que ele, em mais uma investida falhada de estar mais próximo de mim antes de adormecermos, se levanta e me diz enraivecido “Se antes já era difícil estarmos próximos, agora tornou-me absolutamente impossível! Estou farto!”

Aquelas palavras foram um choque para mim. Viva num piloto automático tão bem coordenado e oleado, que nem me tinha apercebido que a nossa relação estava a deteriorar-se.

E de uma coisa eu tinha a certeza, eu não queria que isso acontecesse, muito menos por culpa minha. Eu também queria estar mais próxima dele, eu também precisava de mais intimidade, de mais amor. Só não sabia como consegui-lo. 

Após algumas conversas com a Paula – a minha melhor amiga – com o objetivo de resolver esta situação, percebi que algo não estava mesmo bem comigo e tomei consciência de que existiam muitas crenças enraizadas em mim que me impediam de criar uma verdadeira conexão com o Pedro (e com todos, na realidade).

Sempre foi assim.

Antes dele aparecer na minha vida já o era. Sempre tive relações breves e pouco intensas, porque nunca me permiti deixar levar, nunca consegui confiar em alguém nem para me olhar nos olhos mais do que dois segundos.

Acho que nem nunca soube abraçar alguém de verdade. Lembro-me de uma amiga me dizer isso uma vez: “Não sabes abraçar. Pareces um peixe morto!” Sim, esta minha quase apatia era transversal em todas as minhas relações.

Em minha casa, com os meus pais, nunca foi diferente. As interações eram frias e distantes. Cresci com crenças muito limitadoras relativamente à intimidade, ao sexo, às relações. E estas “ideias” acabaram por moldar o meu crescimento e agora estavam a tentar acabar com o meu casamento.

Disse basta!

Depois de procurar (dias, meses a fio) por respostas, acabei por encontrá-las. Ensinaram-me que crenças mais saudáveis em relação ao sexo podiam ajudar-me a romper com os tabus sexuais que tinha desde a infância.

Ao quebrar com estas crenças sobre a intimidade, uma a uma, comecei a libertar-me e a conectar-me mais intimamente comigo mesma. E depois disso, foi muito fácil começar a fazê-lo de forma espontânea com as pessoas à minha volta.

Absolutamente incrível! Foi como se de repente, eu me tivesse tornado na pessoa que sempre quis ser (ansiava muito por ser). Mais leve, mais descontraída, mais próxima de quem realmente era importante na minha vida. Mais próxima do Pedro. A abraçar mais, a envolver-me mais, a relaxar mais… a ser mais feliz.

Conheci melhor o meu corpo, conheci-me melhor a mim mesma. Percebi que não há nada de errado ou de sujo na intimidade, e dia após dia, exercício após exercício, fui-me libertando e perdendo o medo de estar próxima das pessoas à minha volta.

Comprometi-me a viver uma vida com mais significado e para isso foi importante destruir os tabus e as crenças que me limitam e impediam de criar verdadeiras conexões.